Biografia

“Milhares de pessoas cultivam a música; poucas porém têm a revelação dessa grande arte.”

BEETHOVEN, Ludwig van.

Nasceu em Canhotinho, uma cidade do Estado de Pernambuco, nordeste do Brasil. Detentor de uma voz bem timbrada, já aos 7 anos de idade, começou a cantar em programas locais de rádio e televisão, estimulado pelo seu pai, ganhando inclusive o I Concurso de Cantores Infantis do Nordeste, patrocinado pela Rede Globo Nordeste e produzido por Renato Phaelante e J. Raposo.

Aos 16 anos, sentiu-se atraído pelo violão, influenciado pelo violonista Manoel Barbosa, amigo de seus pais, e pela Escola brasileira de violão, representada por importantes nomes da música, como Garoto, Paulinho Nogueira, Baden Powell. A partir daí, teve de desenvolver uma técnica própria que lhe permitisse realizar seu desejo. Tornou-se, dessa forma, um violonista autodidata, mantendo-se fiel ao estilo brasileiro de tocar violão.

Sem abandonar os estudos, licenciou-se em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco, mas permitiu que o mundo da música o tomasse por inteiro e sua formação acadêmica nesta área foi realizada na Berklee College of Music (Boston – USA), onde se graduou em “composição” em dezembro de 1988, tendo estudado regência com o maestro David Callahan, mestre em música pela University of Massachussets; composição com Thomas McGah, mestre em música pela Boston University e compositor comissionado pela Harvard Musical Association, Massachussets Council for the Arts e M.I.T Concert Band; escrita linear e arranjo no estilo de Duke Ellington, com Herb Pomeroy, trompetista, arranjador e band leader, que tocou com Charlie Parker e Lionel Hampton; e arranjo para madeiras com Bob Freedman, saxofonista, arranjador e regente, que dentre os seus trabalhos como arranjador destaca-se o CD Hot house flowers (1984) de Wynton Marsalis.

No Brasil, participou de outros cursos de capacitação nas áreas de regência, análise harmônica e composição. Foi professor de Harmonia Jazzística e Violão Popular e regente da Camerata de violões do Centro Experimental de Música do SESC – São Paulo e também regente de coro. Desde julho de 2002, é o regente titular e diretor artístico da Banda Sinfônica do Recife, e tem ministrado vários cursos nas áreas de arranjo, harmonia erudita e jazzística.

Como instrumentista já lançou tres CD’s, tendo sido considerado pelo Jornal da Tarde (SP) como “o mais revolucionário violonista dos últimos tempos”; pelo jornal The Boston Phoenix (USA), como “um gênio latino do violão”; pelo “Le Monde”, como “um violonista de fluidez embriagante”. Seu primeiro CD foi lançado em 1994, pela Polydisc/Sony Music, com produção de Zé da Flauta e o outro, em 1996, produzido pela GHA Records (um dos mais prestigiados selos europeus, especializado em música para violão).

Nenéu Liberalquino

Aquarela do Brasil

Apresentou-se em vários festivais no Brasil e no exterior, dentre eles: o ART&SOUL FESTIVAL (Los Angeles, 1999), o MONESTIÈS (Toulouse, 1999) e o 8º festival de violão (Lyon, 1997), e de projetos e eventos musicais importantes tais como – Projeto Pixinguinha (Região Norte e Centro-Oeste), Cantorias nordestinas (RJ), II festival latino-americano de artes sem barreiras (SP), I International Special Arts Festival (Izmir – Turquia) e do show de lançamento do Ano internacional da cultura da paz (Unesco – Paris), como único músico brasileiro convidado.

Seu terceiro CD, entitulado Acqualuz, primeiro com o seu Trio, foi lançado no final de 2002, e com este trabalho fez uma turnê por cinco cidades pernambucanas dentro do Projeto instrumental do SESC (PE), e participou de outros projetos relevantes, dentre eles: Tom Brasil (projeto do BB), Festival de inverno de Garanhuns (PE), Projeto instrumental na Torre Malakoff (PE), Projeto instrumental de Fernando de Noronha (PE), Instrumental in Concert (PE), Projeto Villa-Lobos (Clube do Choro – Brasília).

Foi diretor musical, violonista e arranjador do CD “Alma de tupi” (1999) da cantora Teca Calazans. Fez a direção musical do 1º CD do violonista Cláudio Almeida, de dois discos do cantor Gonzaga Leal – “Minha Adoração” (Um Tributo a Nelson Ferreira-2002) e “E sentirás o meu cuidado“ (Cantando Capiba – 2005) e do disco de Maurício Cavalcanti – “Além das Fronteiras do Universo” (2006), no qual participou também como violonista e cantor. Ademais, compôs a trilha sonora do disco de poesias do escritor Maximiliano Campos (2001) e participou como arranjador e violonista do CD “Loas e lendas” (2000) do cantor Zé Rocha e dos CD’s “O olhar brasileiro” (2000), “E o nosso mínimo é prazer” (2007) do cantor Gonzaga Leal e “Canções brasileiras” (2010) de Lêda Dias. Em 2008, dirigiu e regeu o primeiro CD da Banda Sinfônica do Recife, gravado ao vivo, em homenagem aos 50 anos do grupo. 

Em 2002 e 2004, participou da I e da II Conferência latino-americana de arranjadores e regentes de banda sinfônica, realizada em Tatuí (SP) e de 2005 a 2009, foi o diretor musical e regente do Concurso de música carnavalesca pernambucana, promovido pela Prefeitura do Recife, tendo lançado cinco CD’s sob a sua direção com as músicas vencedoras.

Em 2006, uma das suas composições para violão solo – “Valsa Pro Manoelito”– foi publicada pela revista americana “FINGERSTYLE MAGAZINE” (number 15 – 2006). Já em 2010, a revista alemã “AKUSTIK GITARRE” (März-April 2010) publicou sua composição “MANA”, também para violão solo. E, em 2014, essa mesma obra foi publicada pela “Alfred Publishing” no songbook “Brasil acústico” do violonista alemão Frank Basan.

Em 2013, estreou o seu mais novo show, “BRASILIS”, no Festival de Inverno de Garanhuns e no Natal da cidade de Vitória da Conquista (BA). Foi regente e diretor musical do I Festival do frevo da humanidade, cujo CD foi lançado no dia 9 de fevereiro de 2014. Em outubro de 2015, foi convidado para atuar como regente pela Funarte, integrando o corpo docente do Painel Funarte de Bandas de Música, realizado na cidade Castanhal, no Pará.

Fonte: MPB Compositores Pernambucanos – Coletânea bio-músico-fonográfica – 100 anos de história, Renato Phaelante, Cepe Editora, Recife, 2010.

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